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"Você... e O Natal...""Você... e O Natal..."
Festa na terra e no céu...
Só eu só... tão triste assim... - Quem dera Papai Noel trouxesse Você pra mim! Quem dera Papai Noel
descendo pelos espaços me desse um pouco de céu pondo Você em meus braços... Neste dia belo e doce
de festa, - sentimental, - quem dera que Você fosse meu presente de Natal ! J.G. de Araujo Jorge (1914 / 1987 ) do livro "Trevo de Quatro Versos" 1a ed. 1964 ![]() Natal - Glitter Para Orkut
Vocação para a felicidade
Vocação para a felicidade
Não escreverei versos chorosos
cantando tristezas infinitas, amores impossíveis, saudades dolorosas, paixões trágicas e não correspondidas. Tenho a vocação para a felicidade. Ser feliz não me traz sentimento de culpa. Não preciso da tristeza para justificar a inutilidade da vida. Não preciso morrer e ir ao céu para encontrar a felicidade. Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora. A felicidade, tal e qual, o amor está dentro de mim e transborda em ternuras, em melodias, em carinhos, em alegrias, em cantos e encantos. Sou feliz e não preciso me justificar. Sorrio sem ver passarinho verde. Não tenho medo de ser feliz . Faço minha estrela brilhar sem receio dos encontros, desencontros, encantos e desencantos que o amor me diz. Contrariedades? Eu as tenho! E quem não as tem na vida secular? Escassez de dinheiro? Nem é bom falar. Amores não correspondidos? Separações? Rejeições? Saudades incuráveis? Carinhos reprimidos, ternuras guardadas, sem a contra parte do outro? Eu tenho aos montões. Sou a rainha das perdas, necessárias ao meu crescimento. Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz. E num livro de matemática existencial juntei todos esses problemas insolúveis, com as respostas nas últimas páginas. Mas pra que me debruçar sobre eles, procurando a solução se a própria vida me conduz a resposta final? Sem medo de ser feliz vou por aqui e por ali... Por onde os caminhos, as trilhas, os atalhos me levarem , traçando meu rumo. Às vezes com alguma tristeza mas quem disse que felicidade é o contrário de tristeza? Tristeza é só uma momentânea falta de alegria! É, amigo, amanhã é sempre um novo dia e quando a infelicidade passar por aqui, minhas malas estarão prontas para eu ir por ali. Carlos Drummond de Andrade Oração a mim mesmo
Oração a mim mesmo
Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. Falar menos. Chorar menos. Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm. Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras. Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar. Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos. Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis; aqueles que morrem e ressucitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia. Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amar, sonhar o amalgamar. Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza. Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde). Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida. Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante. Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamento. Que meu choro não seja em vão, Que em vão não sejam minhas dúvidas. Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade. Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo: _Que eu não tenha medo de meus medos! Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperanças. Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez). Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão. Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências; respeitar incondicionalmente o ser; o ser por sí só, por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou. Que eu possa amar e ser amado. Que eu possa amar mesmo sem ser amado fazer gentilezas quando recebo carinhos; fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só. Amém. (Oswaldo Antônio Beggiato)
Algo mais no NatalAlgo mais no Natal
Senhor Jesus! Diante do Natal, que te lembra a glória da manjedoura, nós te agradecemos: a música da oração; o regozijo da fé; a mensagem de amor; a alegria do lar; o apelo à fraternidade; o júbilo da esperança; a benção do trabalho; a confiança no bem; o tesouro de tua paz; a palavra da Boa Nova; e a confiança no futuro. Entretanto oh! Divino Mestre, de corações voltados para o teu coração, nós te suplicamos algo mais!... Concede-nos
Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos! Emmanuel
(Mensagem do livro À Luz da Oração: Antologia de Preces Mediúnicas,
Francisco Candido Xavier)
Canção para uma Valsa LentaCanção para uma valsa lenta
Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo. Se me amas, não digas, que morro De surpresa... de encanto... de medo... Minha vida não foi um romance... Minha vida passou por passar. Se não amas, não finjas, que vivo Esperando um amor para amar. Minha vida não foi um romance... Pobre vida... passou sem enredo... Glória a ti que me enches a vida De surpresa, de encanto, de medo! Minha vida não foi um romance... Ai de mim... Já se ia acabar! Pobre vida que toda depende De um sorriso... de um gesto... um olhar... (Mário Quintana, Canções, 1946) SÓ"SÓ"
Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...
As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas...
Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha...
Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a Lua...
E fico a chorar com ela!...
FLORBELA ESPANCA
(23/04/1917)
"O Lado Bom"12 de Junho
" O Lado Bom "
Quero ser uma ilha, um pouco de paisagem, uma janela aberta, uma montanha ao longe, um aceno de mar, quando precisares de sonho, de um canto de beleza, de um pouco de silêncio, ou simplesmente de sol... e de ar... Quero ser o lado bom em que pensas, (isto que intimamente a gente deseja mas nem sempre diz) - quero ser, naquela hora, o que sentes falta para seres feliz... Que quando pensares em fugir de todos ou de ti mesma, enfim, penses em mim... ( Poema de JG de Araujo Jorge do livro" A Sós..." 1a ed. 1958 ) Vermelho e Branco
Vermelho e branco
O leite branco
Deus pos por dentro de homens (Poema de JG de Araujo Jorge
JG de Araújo JorgeParadoxo
A dor que abate, e punge, e nos tortura, que julgamos às vezes não ter cura e o destino nos deu e nos impôs, é pequenina, é bem menor, e até já não é dor talvez, dor já não é dividida por dois. A alegria que às vezes num segundo
nos dá desejos de abraçar o mundo, e nos põe tristes, sem querer, depois, aumenta, cresce, e bem maior se faz, já não é alegria, é muito mais dividida por dois. Estranha essa aritmética da vida,
nem parece ciência, parece arte; compreendo a dor menor, se dividida, não entendo é aumentar nossa alegria se essa mesma alegria se reparte. ( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro- Festa de Imagens – 1948) JG de Araújo Jorge"Solidão "
Por certo a pior solidão É aquela que a gente sente Sem ninguém no coração... No meio de muita gente... Praias longe, em solidão Fora de todas as rotas, Tal como o meu coração Só como o sonho... das gaivotas... JG de Araújo Jorge
(do Livro "Trevo de Quatro Versos", 1a ed. 1964)
Florbela Espanca
Alma Perdida
Toda esta noite o rouxinol chorou,
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Toda a noite choraste ... e eu chorei
Contaste tanta coisa à noite calma,
Florbela Espanca (do Livro de Mágoas, 1919)
Àlvaro de Campos
Na Noite Terrível...
Carlos Drummond de Andrade
Consolo na Praia
Vamos, não chores...
A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros.
Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho.
Carlos Drummond de Andrade (do livro A Rosa do Povo, 1945)
JG de Araújo Jorge
MANHÃ PARA SE SER FELIZ
(Poema de JG de Araujo Jorge –
Carlos Drummond de AndradeO Tempo
Quem teve a idéia
de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial!
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar
no limite da exautão.
Doze meses é suficiente para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
Com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Receita de ano novo Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?) Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre (Carlos Drummond de Andrade)
Vinícius de MoraesPoema de Natal
Vinicius de Moraes
(Extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147.)
Carlos Drummond de AndradeA FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal. Os ferozes leiteiros do mal. Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. Carlos Drummond de Andrade
(do livro A Rosa do Povo - 1945)
Gonçalves DiasCanção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias
(Coimbra - Julho de 1843)
JG de Araújo Jorge"Desafio das Manias"
Minha queridíssima amiga ESTELA MARIS (http://brilhosdomar.spaces.live.com/) me convidou,
e não tive como recusar o
"Desafio das Manias"
Cada participante tem de enunciar 5 manias, hábitos muito pessoais, que os diferenciam do comum dos mortais.
E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros blogueiros para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos Blogs aviso do "recrutamento".
Cada participante deve reproduzir este "regulamento"no seu Blog.
Minhas cinco principais manias são:
1- Colecionar tudo que tenha girassóis (minha flor preferida);
2- Conversar com o meu cãozinho Luck
(mas eu sou normal!) Rsrs;
3- Lavar as mãos várias vezes ao dia (Freud explica?);
4- Comprar calçados (sandálias, sapatos);
5- E fazer palavras cruzadas antes de dormir.
As minhas convidadas são:
1- Anita (http://kero-te.spaces.live.com/);
2- Hidra (http://2004hidra.spaces.live.com/);
3 - *♥* Faby*♥*(http://fabytchu1979.spaces.live.com/);
4- Denise Rocha (http://zizerocha2.spaces.live.com/);
5- Cíntia (http://olhosdefolhaminha.spaces.live.com/).
" Náufrago "
Nada sei de ti. Me sinto como o homem do farol esquecido no mar, isolado do mundo e sem contato com a vida, sem telégrafo, sem porto, sem navio, meses a fio a esperar... Nada sei de ti. Estou sem notícias, como um náufrago entre praias e gaivotas, fora de todas as rotas... Olho o limpo horizonte, sem um aceno de fumo. Olho o céu, desesperado... Tuas mãos de velas pandas, teus olhos, - bússola e estrela - quando me encontrarão? Ah se fossem pombos-correio estas selvagens gaivotas que planam sobre a minha angústia, sem ver a minha solidão... ( Poema de JG de Araujo Jorge do livro" A Sós..." 1a ed. 1958 ) Carlos Drummond de Andrade
Perolagem da Vida
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